quarta-feira, 23 de julho de 2014

Um atalho mental para a inovação


Inovar e empreender são dois verbos que andam juntos, pelo menos na minha opinião. Você tem a ideia para atender a uma necessidade qualquer, ela evolui, ganha forma, você a testa dentro das suas possibilidades, e é preciso coloca-la de pé o mais rápido possível – mobilizando e convencendo pessoas, alocando recursos, trabalhando riscos, dedicando tempo, e principalmente colocando a mão na massa. Ou seja, para inovar, na maioria das vezes é preciso empreender.
Pra iniciar um negócio, isso é bem óbvio. Mas também vale para quem está dentro de uma empresa, seja uma agência ou qualquer outro tipo de negócio. Não dá pra fazer apenas o que te ‘pedem’. E inovar está mais ligado a ser proativo, a questionar modelos, a conectar diferentes pensamentos, a imaginar possibilidades e oferecer novas soluções. Isso vale pra novos produtos, pra campanhas, pra processos – pra qualquer coisa, na verdade. Ou seja, é empreender, em um contexto um pouco diferente.
Assistindo a um mini-curso online gratuito chamado ‘do bar ao mercado’, sobre empreendedorismo (vale muito a pena, e pode ser visto aqui), conheci um termo chamado ‘Effectuation’, trazido à tona pelo Flavio Pripas, sócio-fundador da Fashion.me. O conceito foi cunhado pela pesquisadora e professora indiana Saras Sarasvathy após estudar o comportamento e trajetória de diversos empreendedores de sucesso no mundo inteiro. Na primeira aula, o Flávio conta que seguiu esse modelo instintivamente com sua empresa e viu que essa proposta faz todo o sentido pra quem quer começar já com a mão na massa.
O enfoque lá é o de iniciar um novo negócio. Mas se inovar e empreender são coisas que se confundem, esse conceito vale totalmente pra você que quer fazer coisas diferentes dentro da sua empresa ou agência, ou de onde trabalha, seja qual for a sua área.
Abaixo, seguem as 5 premissas do ‘Effectuation’, que podem ajudar a inovação acontecer em qualquer contexto:
1 – Comece com o que se tem

Quando muitos empreendedores de sucesso começam a trabalhar em um novo empreendimento, começam com seus próprios meios: quem eles são, o que sabem, quem conhecem e o que tem (ou tem possibilidade de conseguir). E a partir da sua realidade, começam a imaginar outras possibilidades.
Na realidade das empresas e agências, muitos ficam esperando pela oportunidade perfeita, por uma verba ideal, por possibilidades de ter um produto final perfeito logo de cara, por convencer o máximo número de pessoas com uma ideia ainda não tangível e sem explicar muito – e nada sai do papel. O mais interessante é que ‘começar com o que se tem’ torna a inovação algo muito mais acessível.
2 – Avalie as possibilidades reais de perda

Para começar, é melhor que o empreendedor tenha plena consciência do que está disposto a abrir mão para focar no seu projeto. É importante pensar “e se der errado, o que eu faço?” para considerar os riscos nessa nova fase. A sugestão, em qualquer contexto, é que você avalie oportunidades com base no pior cenário e defina o fundo do poço, em vez de tomar decisões apenas baseadas na atratividade do cenário otimista projetado.
O mais interessante disso é que muitas ideias originais não vão adiante pela falsa sensação de alto risco que trazem. Se você tem clareza dos impactos possíveis, vai descobrir que muitas vezes, é menos arriscado fazer (ou aprovar) algo diferente do que utilizar as formas tradicionais, muitas vezes pouco eficazes.
3 – Aceite: o futuro é imprevisível

Muitos empreendedores aprendem na prática que os mercados onde estão inseridos seus negócios estão em um contexto imprevisível. Segundo Pripas, a última crise mundial foi apenas um dos momentos em que ficou evidente que tudo pode mudar de uma hora pra outra. Com essa perspectiva de que nada é imutável, o empreendedor tende a testar novas possibilidades e se adaptar mais a novas situações, fatos que podem ajudá-lo a ter sucesso.
O mesmo vale para você e sua empresa ou agência: aproveite surpresas que surgem a partir de situações incertas, permanecendo flexível, em vez de só ficar preso a metas e caminhos pré-definidos.
4 – Teste possibilidades

Se o futuro é imprevisível, o empreendedor só saberá o que vai acontecer em seu negócio se testar as diversas possibilidades que se abrem ou que aparecem ao longo do tempo. Para exemplificar, o Flavio falou que foi testando a possibilidade de ter um negócio na área de moda e internet, que originalmente não era a sua. A partir daí, foi ganhando experiência e novas habilidades na prática, fatores que lhe possibilitaram ter sucesso.
Isso me fez lembrar de uma palestra do Ken Fujioka em um evento do GPA do Paraná, em que ele falou rapidamente do seu empreendimento paralelo ‘Siga seu Time’ como uma forma de ter um laboratório que pudesse gerar aprendizados para o seu trabalho em agência. Muitas vezes, experimentos paralelos, dentro (como empresas como o Google incentivam) ou fora da empresa / agência podem ser um ótimo campo para te ajudar a inovar no seu trabalho principal.
5 – Forme parcerias

Parcerias podem ser essenciais no começo de um novo caminho, já que abrem e criam novas possibilidades de testar outros mercados. No caso do Flavio, ele destacou como foi essencial buscar parceiros de outros setores para tentar novos projetos que o ajudassem principalmente a divulgar seu negócio para um público mais amplo, e assim crescer.
Ao invés de apenas se preocupar com análises e estudos, co-criar com fornecedores, clientes, colegas de outras áreas, estudantes, empresas de outros segmentos, e afins, pode ser a melhor maneira de se chegar a soluções inovadoras.
Em suma, gostei do ‘Effectuation’ pois é um conceito super ‘unplanned’, que retrata muito bem alguns pontos que acredito e pratico. E que, por isso mesmo, creio que possam fazer a diferença no dia a dia de muita gente.
Vale lembrar que não é um conjunto de regras, mas a extração de um modelo mental bem útil e dinâmico que, na prática, remove muitos dos obstáculos existentes e funciona como atalho para a inovação.
Fonte: http://unplanned.com.br/
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