terça-feira, 10 de junho de 2014

A Maior Marca de Rock’n’Roll da História

Os Rolling Stones são a maior marca de Rock'n'Roll do mundo. Descubra como e o que podemos aprender com eles sobre gestão de marca.



Sempre que falamos em marcas, logo pensamos em empresas, privadas ou públicas, de diferentes mercados – logo Apple, Google, e Coca-Cola nos vêm à mente. Já falamos também sobre branding de país e cidades.
Entretanto, em nossa ordem social e econômica atual, tudo pode ser uma marca. Eu e você somos marcas, e tal conceito se aplica também às artes, no caso do tema deste artigo, à música.
Apesar de ser instituído que a maior banda de rock da história sejam os Beatles, diferente do que se possa imaginar, a banda de rock mais lucrativa do mundo são os Rolling Stones.
Isso foi alcançado, em partes, por um trabalho impecável de branding e marketing (impecável na medida do possível, já que estamos falando de uma banda de rock).
Ray Gmeiner, da Virgin Records, explicou: “Os Rolling Stones são uma marca única porque eles levaram o lado ‘business’ do Rock’n’Roll a níveis que poucas outras bandas conseguiram alcançar”.
Por mais que estejamos falando de negócios, quero deixar claro que este afinco pelo markenting não deprecia em nada a música da banda e sua arte. Na verdade, creio que deixa tudo ainda mais interessante.
Juntos, gerenciamento e banda trabalharam para criar a marca The Rolling Stones, que combina imagem de marca, a personalidade dos membros, e um portfólio de produtos sólido, que inclui todas as mercadorias e licenciamento de produtos com o logo da banda, as turnês mundiais, royalties, as gravações musicais, vídeos, livros e patrocínios, endossos e parcerias com grandes marcas e empresas.
Como toda grande marca e sendo um case peculiar, os Stones tem algumas coisas a ensinar para branders e gestores de marcas:
Rodeados pelas Pessoas Certas:
Apesar de ter frequentado a prestigiosa London School of Economics, Mick Jagger disse que nunca estudou de fato. Apesar disso, o frontman da banda também é a cabeça dos negócios e sempre soube da importância de se rodear das pessoas certas:
  • Prince Rupert zu Loewenstein – Conselheiro Financeiro.
Apesar de não gostar muito da música dos Stones e de ser um católico fervoroso, Loewenstein livrou a banda de contratos pouco lucrativos, ajudou a construir uma máquina de turnês que angariou milhões em merchandising e patrocínios de outras grandes marcas como Budweiser, Volkswagen, e Chase Manhattan.
Além de aconselha-los também em disputas pessoais, como divórcios, o conselheiro também conseguiu incríveis marcas relativas a pagamento de impostos. Em 2006, por exemplo, os Stones pagaram impostos de apenas 1.6% em cima do lucro de 242 milhões de libras, referentes a 20 anos de carreira.
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  • Andrew Oldham – Imagem da Marca
Andrew Odlham foi gestor e produtor dos Stones, e também responsável pela imagem da banda que conhecemos hoje.
Graças a Oldham, os Stones conseguiram se posicionar no mercado:
“Os Beatles tinham uma imagem de quem estava no show business, e isso era importante”.
Para os Stones o importante era parecer que eles não faziam parte do lado business da música. Os Beatles tinham uma imagem mais polida, enquanto os Stones investiram em uma imagem mais rebelde, sem uniformes, eles eram os bad boys.
Foi ele também que tomou decisões de acordo com a personalidade dos membros, e como estes de fato se tornaram personagens icônicas.
Originalmente, os Stones eram seis membros. O tecladista Ian Stewart – um pouco mais gordinho e fora do físico padrão dos outros – não se encaixava na imagem da banda e eventualmente foi deixado apenas como um dos músicos de estúdio, e cortado do line-up oficial. Oldham queria criar uma imagem de destaque, e que eventualmente trouxesse o dinheiro que eles queriam.
Oldham também sabia da importância de conseguir atenção. Enquanto os shows dos Rolling Stones nos anos 70 eram caóticos, culminando em episódios catastróficos como o indefectível show cuja segurança feita pelo Hell’s Angels deixou mortos, isso contribuía para a aura de perigo tão apelativa ao público jovem.
Você sabia que no catálogo de músicas dos Stones, não fosse Oldham, hoje estaria listada uma música chamada apenas “Satisfaction”? Oldham insistiu que “I can’t get no” fosse incluído no título, trazendo um significado muito mais subversivo à gravação.
O Produto – Inovar Sem Alienar Sua Já Fiel Base de Clientes:
Quando pensamos nos Rolling Stones, pensamos obviamente em suas músicas, sendo estas o principal produto da banda, que justifica sua existência.
O hit “Start Me Up” foi usado no lançamento do Windows 95 – e este foi a mais bem sucedida introdução de produto da história, e rendeu ao grupo um valor estimado entre 4 e 12 milhões de dólares. Não só isso, a parceria com a Microsoft garantiu que a música chegasse a milhões de ouvidos, além da fiel base de já fiéis fãs da banda.
A banda também é mestra em entregar uma mistura consistente entre o antigo e o novo da música em uma experiência musical em evolução. Esta combinação intensa ajuda a marca dos Rolling Stones a se infiltrar na cultura em muitos níveis e manter os fãs engajados e querendo mais.
Com esta abordagem de reciclagem, os Stones poderiam lançar quatro novos álbuns de material novo e existente em vez de apenas dois álbuns apenas com novos materiais.
Repetindo músicas em vários álbuns ajudou a enraizar as músicas nas mentes e nos corações dos fãs em todos os segmentos socioeconômicos e geográficos. Além da publicidade e promoção que acompanha o lançamento de um álbum, cada introdução do produto dá a banda uma chance de estreitar o relacionamento com os fãs atuais e cria uma oportunidade de alcançar novos.
Um dos segredos para o sucesso em longo prazo dos Rolling Stones tem sido a capacidade da banda em evoluir a uma taxa que não aliena seus maiores fãs e mantém a banda relevante no mercado.
Suas primeiras gravações, entretanto, não eram nada de novo. Eles certamente não eram definição de ninguém de belo. Na verdade, eles pareciam obscuros e perigosos para o público em geral. Eles provam, no entanto, que só porque os primeiros protótipos não saem perfeitos não significa que não se pode fazer modificações e melhorias em busca do produto perfeito.
Em suas turnês, eles atraem os fãs que vão a pelo menos um show de cada tour, os que frequentam alguns concertos ao longo do tempo, e aqueles que só querem ver a lendária banda uma vez, enquanto ainda estão na ativa.
Em relação aos shows, algumas vezes a banda se apresenta em um seleto número de lugares pequenos (com ingressos a preços muito mais elevados). Essa estratégia aumenta a aura da marca Rolling Stones entre aqueles que não podem vê-los em ambientes íntimos, e a raridade de tais performances aumenta o valor para aqueles que pagam ingressos a preços altíssimos, pois eles estão comprando uma experiência que poucos outros terão.
Identidade Visual Transformada em Ícone.
Assista a um concerto dos Rolling Stones e você vai perceber que a banda não vende CDs no local, como outras bandas fazem. Ao invés de usar o concerto para vender CDs, os Stones aproveitam para empurrar outras mercadorias com margens de lucro significativamente mais elevadas.
Os fãs vão comprar os álbuns on-line ou em lojas, se quiserem. Os Stones preferem que os fãs gastem em t-shirts, bonés, e outros itens de maior lucro, todos estampados com o icônico logo da banda, que faz referência a avantajada boca do Mick Jagger. Não apenas as margens de lucro são maiores, mas tais itens de promoção ajudam a divulgar a marca The Rolling Stones.
Os membros da banda também fazem parte da identidade visual da marca (como vimos anteriormente, um membro mais gordinho até foi cortado para manter a coesão visual entre os músicos). O energético Mick Jagger e seu atordoado companheiro Keith Richards contribuem para esta identidade, adicionando suas próprias personalidades à mistura.
Muitas bandas têm um logo. Poucas souberam trabalhá-lo como os Stones.
O que me leva a um breve questionamento: Se bandas também são marcas, por que é bacana quando um fã tatua o logo de um conjunto musical, mas é tosco (na maioria das vezes) quando tatua o logo de uma empresa?
Uma banda tem um nível de conexão tão grande que seus clientes são imediatamente fãs. Eles se sentem parte da história da banda e a banda faz parte da história deles. Poucas marcas conseguem criar este universo, que compõe o estilo de vida de seus consumidores. Defina o seu humor, construa a sua história, envolva e faça parte da vida de seus consumidores e alguém provavelmente vai tatuar sua marca na pele. É o que fez a Harley-Davidson, uma das poucas marcas cuja tatuagem não fica ridícula, pois é mais que uma marca, é um culto, um estilo de vida.
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O que os Stones Ensinam aos Gestores de Marcas:
O que os Rolling Stones inventaram? Nada. No entanto, eles venderam milhões de álbuns e continuam sendo relevantes após 50 anos. Marcas morrerem quando eles não têm nada a dizer e não é o caso dos Stones.
Em suma, os Rolling Stones mudaram a forma como as pessoas olham para o Rock’n’Roll, da estratégia e tino comercial que são necessários para manter uma marca relevante. Eles forjaram o caminho para patrocínios corporativos e bandas como grandes corporações. Eles estabelecem o padrão de longevidade e vitalidade no mercado e para o valor de entretenimento ao vivo. Eles representam a melhoria contínua de produtos e controle de qualidade. Eles são mestres na criação de uma base leal de fãs. Eles são os únicos Rolling Stones, que além da música, nos ensinaram a:
  • Evoluir um produto ao longo do tempo a uma taxa que não aliena os fãs atuais ainda mantém uma relevância no mercado.
  • Construir familiaridade do produto e aceitação cultural com a repetição e reciclagem.
  • Explorar novas vias de comercialização de alianças corporativas para a entrega alternativa do produto a fim de maximizar o impacto de mercado e lucratividade.
  • Relacionar-se com a mudança de atitudes e estilos de vida dos clientes.
  • Manter uma equipe talentosa junta depois de tanto tempo.
Pois é, é muito mais que Rock’n’Roll!
Fonte: http://chocoladesign.com/
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